
Path of Exile 2
A Grinding Gear Games dobrou a aposta no ARPG de profundidade absurda. Combate mais tático, árvore de habilidades monstruosa e o loot que prende por centenas de horas. O sonho molhado de quem ama build.
Mesmo inacabado, Path of Exile 2 já é um dos ARPGs mais ambiciosos já feitos — e seu maior risco não é a qualidade, é o tempo: um Early Access longo que precisa provar que o endgame aguenta a obsessão que a campanha desperta.
- 01Em acesso antecipado desde dezembro de 2024, com 76% de avaliações positivas no Steam (94 mil análises).
- 02O combate ficou mais deliberado e tático, sem abrir mão da complexidade lendária da série.
- 03A profundidade de builds é quase sem rival — terra prometida para quem ama teorizar.
- 04É obra inacabada: faltam atos, classes e o endgame final, previstos para o 1.0 (fim de 2026).
- 05Há sinais de fadiga: queda de jogadores e um loop de fim de jogo que pede retrabalho.
- Combate mais deliberado e tático que o do primeiro jogo, sem perder profundidade.
- Árvore de habilidades e sistema de builds de uma profundidade quase sem rival no gênero.
- Loot e teorização de build que prendem por centenas de horas.
- Suporte ativo da Grinding Gear Games: updates, balanceamento e sistemas novos desde o lançamento.
- Ainda é Early Access: campanha incompleta, classes faltando, 1.0 só no fim de 2026.
- O endgame, motor do gênero, ainda precisa de retrabalho — e os trackers já mostram fadiga.
- A complexidade é muralha para o iniciante; o jogo presume bagagem prévia do gênero.
- 76%avaliações positivas no Steam94 mil análisesSteam
- dez/2024em acesso antecipado
- fim de 20261.0 previstoGamesRadar
Avaliar um jogo em acesso antecipado é um exercício de honestidade. Path of Exile 2 ainda não é o jogo que vai ser — faltam atos, faltam classes, falta o endgame definitivo —, e seria desonesto cravar um veredito final sobre uma obra pela metade. Mas já dá para dizer uma coisa com segurança: o que a Grinding Gear Games construiu até aqui é grande o bastante para assustar a concorrência. Esta análise trata PoE2 pelo que ele é hoje — uma fundação monumental ainda em obras — e aponta o que falta para a torre ficar de pé.
Profundidade, mesmo pela metade
A marca registrada da série sempre foi a profundidade, e PoE2 dobra a aposta. A árvore de habilidades passiva continua sendo um organismo gigantesco, intimidante, cheio de caminhos — um quebra-cabeça que recompensa quem estuda. Combinada com o sistema de gemas e suporte reformulado, ela permite uma variedade de builds que pouquíssimos jogos no mundo alcançam. Para o tipo de jogador que se diverte tanto na planilha quanto no combate, PoE2 é terra prometida: cada percentual otimizado, cada sinergia descoberta, é uma vitória própria.
E o loot é o motor que sustenta tudo. A perseguição pelo item perfeito, pela base certa, pela rolagem ideal, é o vício clássico do gênero, e a GGG o domina como ninguém. É o tipo de jogo em que "só mais uma run" vira três horas sem que você perceba.
E há a camada da economia. Path of Exile sempre foi tão um jogo de mercado quanto de combate — moedas que são, elas próprias, itens de craft; trocas entre jogadores; uma engenharia de raridade que cria uma economia viva e volátil. PoE2 herda esse DNA: para o jogador dedicado, dominar o sistema de criação de itens e o valor das coisas é metade da diversão. Para o casual, é mais uma camada que pode intimidar. De um jeito ou de outro, é o tipo de sistema que pouquíssimos estúdios teriam coragem de manter tão denso — e que define a identidade da série.
O combate que desacelerou para pensar
A mudança mais corajosa de PoE2 é de ritmo. O primeiro Path of Exile, com o tempo, virou uma explosão de tela — builds que limpavam telas inteiras num clique, velocidade acima de tudo. A sequência puxa o freio. O combate ficou mais deliberado, mais tático, mais próximo de um souls-lite com loot: posicionamento importa, esquiva importa, inimigos exigem leitura. É uma reorientação ousada, que arrisca desagradar quem amava a velocidade do original em troca de um combate com mais peso e intenção.
Funciona? Em larga medida, sim — sobretudo na campanha, onde o ritmo mais lento dá espaço para que os encontros respirem. É no fim do jogo que a aposta encontra seu teste mais duro.
Os chefes são a melhor vitrine dessa mudança. Em vez de paredes de vida que você derrete num clique, são duelos com padrões a aprender, aberturas a explorar e punição para a ganância — uma estrutura que conversa diretamente com o vocabulário moderno do action. Para quem vem dos soulslikes, é uma ponte natural; para o veterano de PoE acostumado a obliterar telas inteiras, é um choque de ritmo que divide opiniões. A Grinding Gear Games apostou que o combate com mais peso é o futuro do gênero, e, ao menos na campanha, defende bem essa tese.
A muralha da complexidade
É preciso dizer com clareza: PoE2 não é para todos, e não tenta ser. A complexidade que encanta o veterano é uma muralha para o iniciante. O jogo presume bagagem — de termos, de sistemas, de convenções do gênero — e oferece pouca mão para quem chega de fora. Isso é uma escolha de identidade, não um defeito acidental; a GGG sempre fez jogos para entusiastas. Mas o leitor que nunca tocou num ARPG de profundidade precisa saber que a curva aqui é uma montanha, não uma rampa. Quem topar a escalada é recompensado como em poucos jogos; quem não topar, vai bater no muro já nas primeiras horas.
O problema de todo Early Access longo
O maior risco de PoE2 não está no que ele faz, e sim no quanto ele demora. O 1.0 só é esperado para depois da ExileCon, no fim de 2026 — o que significa um acesso antecipado longo, com campanha incompleta (atos finais ainda por vir) e quatro classes que talvez nem cheguem a tempo do lançamento completo. Acesso antecipado prolongado tem um custo silencioso: a empolgação inicial esfria, e parte do público joga o conteúdo disponível e vai embora esperar a versão final. Os trackers já mostram esse movimento — uma queda em relação aos picos de lançamento, sinal natural de um jogo que ainda não tem corpo inteiro.
O endgame que ainda procura forma
E há o ponto mais crítico de todos. Num ARPG, a campanha é a introdução; o endgame é o jogo de verdade — o loop de centenas de horas que separa um bom ARPG de um fenômeno. O endgame de PoE2 ainda está em construção, e a própria GGG reconhece que precisa de retrabalho: um Atlas completo e um ecossistema de chefes de fim de jogo estão entre as promessas do 1.0. Até que esse coração esteja batendo na forma final, qualquer veredito sobre a longevidade de PoE2 é provisório por definição. A campanha já prova o talento; o endgame é que vai decidir o legado.
A comparação é inevitável: o endgame do primeiro Path of Exile levou anos para virar o monstro de longevidade que é hoje, com sua teia quase infinita de mapas e mecânicas. PoE2 parte de uma base mais sólida, mas precisa percorrer um caminho parecido — e fazer isso sem cansar a base que já está jogando o acesso antecipado. É uma corrida contra o relógio da paciência do jogador, e a GGG tem histórico para vencê-la. Só que histórico não é garantia, e é exatamente por isso que o veredito, aqui, fica honestamente em aberto.
Veredito provisório
Path of Exile 2 é, hoje, uma das fundações mais impressionantes do gênero — e uma obra que ainda não dá para julgar por inteiro, porque não está inteira. O que existe já justifica a empolgação: combate repensado com coragem, profundidade de build quase sem rival, e o loop de loot mais viciante do mercado. O que falta é o que mais importa num ARPG: um endgame definitivo que segure o jogador para sempre. Para o entusiasta que ama acompanhar um jogo crescer, é uma compra fácil e um prazer constante. Para quem prefere obras acabadas, o conselho honesto é esperar o 1.0 — porque é só lá, com o Atlas completo e o fim de jogo no lugar, que Path of Exile 2 vai poder ser medido pelo que sempre quis ser: não um bom começo, mas um vício sem fim.
Mesmo em acesso antecipado, Path of Exile 2 já é um dos ARPGs mais profundos do mercado — os 76% de avaliações positivas no Steam falam por si. Mas é uma obra em construção: a campanha está incompleta e o endgame, coração do gênero, ainda busca a forma final, prevista para o 1.0 no fim de 2026. Promessa enorme, veredito definitivo adiado.
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